Histórico
História da odontologia no mundo
Ao resgatar a dimensão histórica da odontologia,
percebe-se que é praticamente impossível estabelecer uma divisão concreta entre
a Medicina e a mesma. Isso é explicado pelo fato de ambas terem nascido em
épocas pré-históricas, quando o homem primitivo teve suas primeiras dores.
Assim, a odontologia teve, na medicina, seus primórdios.
Segundo Rosenthal (2001), a Odontologia, denominada em seus primórdios como Arte Dentária, nasceu na Pré-História, porém seus registros mais antigos datam de 3500 a.C., na Mesopotâmia, onde é possível observar, nas inscrições da época, uma menção do que seria o verme responsável pela destruição da estrutura dentária, o gusano dentário. Além disso, ele destaca que, devido à concepção de saúde-doença baseada no modelo mágico-religioso vigente na época, a Odontologia era exercida por meio da religião e da magia, sendo utilizadas orações e fórmulas para destruir tal verme.
Contudo, essa Arte Dentária não se restringe a procedimentos mágicos e espirituais, uma vez que ela está diretamente vinculada à higiene, pois desde 3000 a.C. os Sumérios praticavam a higiene oral, através de palitos dourados extremamente decorados achados em escavações na cidade de Ur, na Mesopotâmia os quais sugerem um interesse na limpeza da boca. Além disso, os Assírios e Babilônicos já sofriam de doenças bucais que podem ser comprovadas pelo achado de uma tábua de argila desse período que fala do tratamento através de massagens gengivais combinadas com ervas medicinais.
Almeida, Vendúsculo e Mestriner-Junior (2002) delimitam que a profissão odontológica foi construída no decorrer dos tempos, primeiramente exercida por sacerdotes e médicos para, a seguir, ser relegada às mãos de charlatões, até encontrar um segmento profissional que se dedicasse a ela.
As primeiras documentações terapêuticas sobre as infecções da cavidade bucal, de acordo com Rosenthal (2001), são encontradas nos papiros egípcios, sendo que a medicina egípcia possuía um caráter peculiar, já que transitava entre a prática mágico-religiosa e a racionalidade científica.
Segundo Cunha (1952), na Grécia antiga, a odontologia se concretizava em duas figuras: Asclépio, o deus da Medicina e Hipócrates, o fundador da Medicina Científica. Almeida, Vendúsculo e Mestriner-Junior (2002) expõem que Hipócrates, o "Pai da Medicina", escreveu, em seus estudos, aspectos relacionados à Odontologia, tais como a doença cárie dentária, a má-oclusão, os abscessos, entre outros.
Na Roma antiga, a formação da Arte Dentária recebeu contribuições grega e egípcia, sendo de fundamental importância a Lei das XII Tábuas, cerca de quatro séculos antes de Cristo, onde havia permissão para o emprego do ouro em trabalhos dentários, sendo o mesmo negado para outros fins (CUNHA, 1952). Além disso, foi em Roma que surgiu a padroeira dos dentistas. Ela consiste em Apolónia, mulher torturada por não renegar a fé cristã e que por isso perdeu todos os seus dentes. Assim, antes de morrer ela teria pedido a Deus que intervisse no sofrimento causado pelos males dos dentes e com isso tornou-se protetora e padroeira dos Dentistas, sendo seu dia comemorado em 9 de fevereiro.
A Europa foi considerada o berço da Odontologia, onde surgiram os primeiros relatos desta ciência, a partir do século XVI. Segundo Cunha (1952), a fase científica da Odontologia é realmente descortinada com Pierre Fauchard, considerado o "Pai da Odontologia", no século XVIII, iniciando sua carreira como cirurgião e dedicando-se, em seguida, integralmente a Odontologia, publicando uma obra notável, Le Chirugien Dentiste - Au Traité des Dents.
De acordo com Almeida, Vendúsculo e Mestriner-Junior (2002), a odontologia irá se projetar, no século XIX, chegando à América, devido a três eventos importantes, todos nos Estados Unidos da América: a fundação da Society of Dental Surgeons em Nova York; a criação da primeira escola especializada na prática dental da América, a Escola de Odontologia de Baltimore; a publicação do primeiro jornal especializado, The American Journal of Dental Science.
No início do século XX vários autores, equivocados lançaram a teoria da infecção focal, a qual relacionava doenças aos dentes. Nessa época quando os médicos não encontravam a causa de algumas doenças, ordenavam extrações em massa, tanto de dentes cariados como de dentes íntegros e este critério persistiu no Brasil até pouco tempo atrás.
Atualmente a Odontologia se encontra em franco avanço científico, sendo dividida em diversas especialidades as quais se preocupam com aspectos específicos. Devido a este grande aprofundamento das especialidades, melhores resultados tem sido obtidos com o tratamento multidisciplinar, possibilitando a resolução de problemas complexos de forma rápida e eficaz. Somado a isso, ela conta com equipamentos modernos, tais como laser, scanner, tomografia, ressonância magnética, micro-abrasão, entre outros tratamentos que se tornaram menos invasivos e mais confortáveis e rápidos.
História da odontologia no Brasil
No Brasil, antes da chegada dos portugueses, não havia um especialista para realizar o tratamento dos dentes, como ocorria na metrópole portuguesa e em outros países da Europa. Com a colonização do país, alguns núcleos coloniais foram formados. Embora houvesse poucos habitantes nesses núcleos, deveriam existir "mestres" de todos os ofícios que se necessitasse e, entre eles mestres cirurgiões e barbeiros, que curassem de cirurgia, sangrassem e tirassem dentes. Assim, esses profissionais deveriam vir de Portugal para atender a tal demanda.
Porém, Calvielli (1993) expõe que foram poucos os que vieram, não atraindo, evidentemente, os melhores profissionais da Península Ibérica, sendo a maioria composta de cirurgiões-barbeiros. Desse modo, o cuidado com os dentes, no Brasil colonial, por muito tempo, passou a ser exercido pelos "barbeiros", indivíduos que além de cortar e pentear os cabelos e barbear, faziam curativos em vários tipos de machucados e, operações cirúrgicas pouco importantes. Por terem adquirido grande habilidade manual, passaram a atuar na boca, fazendo também extrações dentárias, porque muitos cirurgiões, por receio e desconhecimento, não intervinham.
Calvielli (1993) descreve que como não vinham novos cirurgiões de Portugal ou porque a demanda tivesse aumentado, a "arte de tirar dentes" foi sendo assumida pelos escravos e pelos negros alforriados, sendo considerada uma atividade menos importante.
Até o século XVII não havia na legislação portuguesa lei, regularizando a prática da arte dentária. A primeira legislação portuguesa referente à Odontologia, a Carta Régia de Portugal, foi criada em 09 de Novembro de 1629, regularizando a prática da arte dentária, sendo instituída uma multa de dois mil réis às pessoas que "tirassem dentes" sem licença e, pela primeira vez citando a "classe profissional" dos barbeiros. Ainda no século XVII, Gomes Freire de Andrade sanciona um Regimento ao Cirurgião Substituto das Minas Gerais, com a autorização de Sua Majestade, podendo ser considerada, em parte, como uma primeira legislação brasileira frente ao ofício da Arte Dentária (ROSENTHAL, 2001).
Pela lei de 17 de junho de 1782, foi criada a Real Junta de Proto-Medicato, que era constituída de 7 deputados, médicos ou cirurgiões, para um período de 3 anos e caberia a estes o exame e expedição de cartas e licenciamento das "pessoas que tirassem dentes" (CUNHA, 1952).
Nas últimas décadas do século XVIII, surgiu a figura de Joaquim José da Silva Xavier (1746 - 1792), conhecido como Tiradentes, por exercer entre os seus múltiplos ofícios, o de dentista. Ele possuía grande habilidade com o ofício, já que esculpia, provavelmente em marfim ou osso de canela de boi, coroas artificiais para repor no lugar dos dentes ausentes. Tiradentes foi considerado o "Patrono da Odontologia",no Brasil, além de ter sido o mais importante mártir da inconfidência mineira.
Em 23 de maio de 1800, o "Príncipe Regente Nosso Senhor", mandou executar o Plano de Exames, onde pela primeira vez em documentos do reino, consta o vocábulo dentista, sendo a partir de então o mecanismo burocrático necessário para que este se torne apto a desempenhar a profissão. Este é o início da arte dentária como profissão autônoma no Brasil.
Posteriormente, com a vinda da corte de Portugal para o Brasil em 22 de Janeiro de 1808, ocorre um surto de progresso nas mais diversas áreas, dentre elas a Odontologia. Vieram muitos dentistas franceses para o Brasil, que se destacaram de 1820 a 1850, porém, a partir de 1840, começam a chegar dentistas dos Estados Unidos da América, principalmente durante o período referente à Guerra da Secessão (1861-1865), os quais rapidamente passam a suplantar os franceses (ROSENTHAL, 2001).
Em setembro de 1869, graças a João Borges Diniz, surgiu a primeira revista odontológica: "Arte Dentária".
A partir desse desenvolvimento tecnológico e cultural, começam a surgir os primeiros passos para se estabelecer a formação em Odontologia. Desse modo, no século XX ocorre um rápido avanço da ciência odontológica no Brasil, sendo criadas as primeiras faculdades de Odontologia. A institucionalização dos cursos de Odontologia, anexos às faculdades de Medicina, se deu pelo Decreto nº 9.311, de 25 de Outubro de 1884, denominada Reforma Sabóia, sendo, por este motivo, utilizada a data de 25 de Outubro como comemoração do Dia do Cirurgião-Dentista no Brasil. A primeira regulamentação do exercício profissional da Odontologia ocorre através da Lei nº 1.314, de 17 de Janeiro de 1951 (CALVIELLI, 1993).
A partir de então se observa um rápido crescimento da profissão, exemplificado pela abertura de inúmeros cursos de graduação e pós-graduação, bem como um grande salto científico e tecnológico.
Símbolo da profissão
O símbolo da Odontologia tem origem grega. Ele é representado pelo bastão de Asclépio dentro de um círculo. O bastão de Asclépio é representado por uma varinha com uma serpente a envolvendo no sentido da esquerda para a direita.
Também conhecido como o bastão de Eusculápio, esse é igualmente o símbolo da medicina. O que o diferencia da medicina dentária é justamente o círculo que o envolve. O bastão representa a autoridade dos médicos que, muitas vezes, podem decidir sobre a vida ou a morte. Por sua vez, a serpente representa a cicatrização ou o renascimento.
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Referências
- ROSENTHAL E. A odontologia no Brasil no século XX.
São Paulo; Santos; 2001.
- ALMEIDA E. C de S.; VENDÚSCULO D. M. S.; MESTRINER J. W. A conformação da odontologia enquanto profissão: uma revisão
bibliográfica. Revista Brasileira de Odontologia; 59(6):370-3, 2002.
- CUNHA E. M. S. História da odontologia
no Brasil. 2ª ed. Rio de Janeiro; Científica; 1952.
- CALVIELLI I. T. P. O exercício ilegal da odontologia, no Brasil.
São Paulo, 1993 (dissertação de mestrado). São Paulo: Faculdade de Direito,
Universidade de São Paulo; 1993.









